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Hades é um jogaço, de primeira linha. Seu período em early access foi muito benéfico para seu produto final, seja ano passado no Switch e PC, ou esse ano, chegando aos consoles Xbox e Playstation. Entretanto, o que faz de Hades ser essa grandeza toda iremos tratar agora.

A morte faz parte (e é divertida)

Primeiramente, explicar a essência do game é fundamental. Hades é um roguelike, ou seja, um jogo que você morre para evoluir. O sistema é diferente, mas funciona muito bem. Na gameplay, comandamos Zagreus, filho do todo poderoso Hades.

Zagreus tem um único objetivo: Fugir do inferno. Apesar da temática, o jogo não tem nada nem perto de terror ou algo do tipo, pelo contrário, é extremamente belo e atraente para todas as idades. Voltando ao objetivo, deve-se imaginar que não é muito simples fugir de um lugar desse. Zagreus, então, no meio de suas fugas… Morre! E é aí que o roguelike nasce.

A cada “run”, adquirimos novos poderes, armas e ficamos mais fortes. Com isso, a morte fortalece o personagem e retomar o cenário é sempre divertido, passando mais rápido por partes em que antes eram muito desafiadoras.

Mas, calma. O jogo não é repetitivo. Em Hades, os mapas e seus inimigos são gerados de modo único a cada run. Logo, ao iniciar um novo ciclo após uma morte, não será exatamente a mesma coisa. É claro, entretanto, que algumas coisas não sofrem mudanças, como as batalhas de boss, por exemplo. A cada final de cenário, o boss será o mesmo, mas a batalha em si pode diversificar nos ataques e abordagens.

Um deslumbre artístico

Hades é uma obra de arte. Não somente em sua gameplay e demais aspectos, vale comentar de maneira única o seu visual e trabalho sonoro. Falando primeiro dos visuais, é deslumbrante o que foi realizado no game. Ao pensar que os mapas mudam a cada run, o fato impressiona ainda mais.

São muitas as variações. Cenários repletos de fogo, estruturas gregas, jardins suspensos e grutas estão presentes. Hades não busca trazer realismo, pois, como mostram as imagens, é um jogo estilizado. Mesmo assim, a beleza e quantidade de vida nos ambientes é impressionante. O jogo de cores é muito bem utilizado, sendo um game muito colorido e que não deixa de abusar dessa beleza.

O design dos personagens, em suas falas, é de deixar a boca aberta. Muito bem detalhados e um trabalho de desenho de enorme qualidade, a cada conversa é um prazer de ver as artes. Cada personagem e chefe também são super bem desenhados e ricos em detalhes, além de diversificarem bastante seus ataques.

Quanto ao som, realmente é mais um ponto forte do game. Desde os combates, ambientes até os diálogos, tudo é muito cuidadoso em sua qualidade. Cada personagem tem uma atuação incrível e muita identidade no seu jeito de ser e falar. Inclusive, você cria relações dentro do jogo. A cada vez que morre, voltamos a uma parte central, onde está Hades (pai de Zagreus) e demais personagens. Podemos conversar com todos e a partir disso, estreitar laços e até ganhar itens.

Completando sobre o aspecto sonoro, a trilha sonora também é muito bem ajustada com o game. Em todos os momentos as músicas se entrelaçam na gameplay, aumentando a imersão e muitas vezes potencializando os sentimentos, como tensão e tranquilidade.

História interessante e gameplay cativante

Confesso que havia deixado Hades passar no último ano. Chegando agora nos consoles, era a oportunidade que não poderia deixar passar. Entretanto, estive curioso quanto a narrativa e sem esperar muita coisa, pois imaginei que o foco era unicamente a gameplay.

Estava enganado. Hades tem uma ótima narrativa e de uma profundidade imensa. Seus principais pontos definem a trama, por conta disso não entrarei muito na história em si, mas é muito, muito boa. Para um roguelike, o game consegue entrar inúmeras surpresas, personagens com muitas camadas e desdobramentos na trama que compõe uma boa trajetória de enredo.

Além de trama envolvente, Hades é extremamente prazeroso de se jogar. O jogo tem boa fluidez, entretanto não espere um desafio leve, afinal, o nível de dificuldade é considerável. O jogo foi muito bem na sua construção de combates e no que podemos fazer com o protagonista.

Primeiramente, nesse sentido, é importante falar das opções de armas. No roguelike, é possível jogar de espada, lança, arco, escudo… Vários tipos de armas. Por outro lado, essas armas não são simplesmente disponibilizadas ao player. O game faz com que o jogador precise evoluir e avançar nos cenários para conseguir “chaves”. Através destas que o protagonista consegue adquirir os itens.

Além disso, os combates são super interessantes. Da mesma forma que todo o jogo, é muito bem colocado a forma de se enfrentar inimigos. O game faz com que tenhamos abordagens sempre diferentes para cada inimigo. Ou seja, o jogo te obriga a estar em constante adaptação, hora para inimigos próximos, hora para explosivos, em outros momentos para arqueiros… Mas, em todos eles, Hades acerta. Não somente isso, a SuperGiant consegue entregar um ritmo muito bom em seu desenvolvimento e progresso. Um jogo roguelike que consegue ter bom ritmo é um aspecto primordial.

Hades merece todo o reconhecimento

Ao iniciar o game, estava pensando no que seria o jogo. Um game que, em premiações, venceu The Last Of Us Part II inúmeras vezes era de se chamar atenção, mas seria realmente tudo isso? A resposta é sim.

É difícil achar um ponto fraco em Hades. Também, é difícil se frustar em uma gameplay com boa história, personagens, jogabilidade e gráficos.

Entretanto, volto a frisar um ponto de maior importância: É um game de dificuldade acima da média. Entre em Hades sabendo que será desafiador, não somente um smash-button. Tirando isso, sem dúvida será um experiência primorosa, de primeira linha. Hades é nota 100, seja ano passado ou nesse nos consoles.

Positivo
  • Jogabilidade ótima
  • Design incrível
  • História envolvente
  • Ótimas diversificações de cenários e inimigos
Nota 100


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