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A Team Ninja nunca escondeu sua obsessão por sistemas de combate profundos. Desde o primeiro Nioh, o estúdio construiu uma identidade própria dentro do universo dos RPGs de ação difíceis, fugindo da simples comparação com outros soulslikes e apostando em mecânicas técnicas, ritmo acelerado e enorme variedade de builds.

Com Nioh 3, a sensação é de maturidade. Em vez de reinventar completamente a estrutura da franquia, o jogo trabalha em cima do que já funcionava e amplia praticamente tudo: liberdade de exploração, opções de combate, progressão e escala do mundo. O resultado é um título confiante, que sabe exatamente que tipo de experiência quer oferecer.

Gameplay: quando o combate encaixa, é viciante!

Se você já jogou os anteriores, vai se sentir em casa, mas não acomodado.

A grande novidade é a alternância entre os estilos Samurai e Ninja. Pode parecer apenas uma camada extra no papel, mas na prática muda completamente o ritmo das lutas.

Passei boa parte das primeiras horas insistindo no estilo Samurai, jogando de forma mais técnica e paciente. Funcionava… até parar de funcionar kk. Alguns inimigos simplesmente punem esse comportamento. Foi quando comecei a misturar com o Ninja, mais rápido, mais móvel, e o jogo praticamente se abriu diante de mim.

Essa liberdade cria um tipo raro de combate: aquele em que você percebe que morreu mais por teimosia do que por dificuldade injusta.

E sim, você vai morrer bastante! 😁👍

Mas quase sempre vai voltar melhor.

Imagem: captura de gameplay – PC

A personalização também merece elogios. Testei várias armas ao longo da campanha, mas foi com uma kusarigama que o combate realmente virou meu favorito. O alcance imprevisível e a velocidade transformaram encontros complicados em duelos muito mais controláveis.

Esse tipo de descoberta mantém o jogo fresco mesmo depois de muitas horas.

Outro ponto forte é o design dos inimigos. Eles não estão ali apenas para drenar sua barra de vida, exigem leitura, adaptação e respeito. Entrar em um confronto no piloto automático é praticamente pedir para voltar ao último checkpoint.

O mais impressionante é que, mesmo após dezenas de horas, o combate continua evoluindo. Sempre aparece uma habilidade nova, uma combinação inesperada ou uma estratégia melhor.

Poucos RPGs de ação sustentam essa sensação por tanto tempo.

Mundo e exploração: mais liberdade sem perder o foco

Uma das melhores decisões de Nioh 3 foi expandir as áreas. O jogo abandonou aquela sensação de corredores interligados e passou a oferecer regiões mais amplas, com caminhos alternativos e perigos espalhados de forma mais natural.

Não chega a ser um mundo aberto, e ainda bem. O design continua enxuto o suficiente para manter a tensão constante.

mapa nioh 3
Imagem: mapa do jogo

Explorar vale muito a pena. Em vários momentos encontrei melhorias permanentes ou atalhos que mudaram completamente minha abordagem em trechos difíceis.

Mas essa ambição cobra um preço.

Há sistemas demais. Equipamentos demais. Atributos demais.

Gosto de profundidade, mas em alguns momentos passei mais tempo comparando números no inventário do que lutando, e isso quebra um pouco o ritmo.

O velho “dilúvio de loot” da série está de volta. Quem ama otimizar builds vai se divertir. Quem prefere algo mais direto talvez se canse.

Dificuldade: alta, mas muito mais inteligente

Uma coisa que Nioh 3 faz melhor do que muitos jogos difíceis é evitar a sensação de injustiça.

Existe um trecho específico do meio da campanha em que quase pensei: “ok, talvez seja aqui que o jogo perdeu a mão”. Voltei com outra estratégia, mudei habilidades e avancei com bem menos sofrimento.

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Reprodução/Koei Tecmo

Essa é a diferença entre dificuldade artificial e design bem pensado.

O jogo pune erros, não o jogador.

Ainda assim, não espere moleza. Este definitivamente não é o melhor ponto de entrada para quem nunca tocou em um soulslike, embora as novas opções de build ajudem a suavizar a curva inicial.

Gráficos e direção artística: funcionais acima de tudo

Se você está esperando um salto técnico gigantesco, talvez Nioh 3 não seja o jogo que vai testar sua placa de vídeo até o limite.

Mas também nunca tive a sensação de que faltava algo.

A direção de arte continua forte, misturando o Japão feudal com elementos sobrenaturais de forma que já virou identidade da franquia. Algumas áreas, especialmente as mais sombrias, criam uma atmosfera excelente para os combates.

Imagem: captura de gameplay – PC

Mais importante ainda: tudo é extremamente legível. Em um jogo onde frações de segundo importam, clareza visual vale mais do que efeitos exagerados.

Não é um marco gráfico, mas claramente não precisava ser.

História e ambientação: não rouba a cena, mas sustenta a jornada

A narrativa mistura figuras históricas com ameaças yokai e conflitos políticos. Funciona bem como motivação, mas vamos ser honestos: dificilmente será o motivo principal para você continuar jogando.

E tudo bem.

Imagem: captura de gameplay – PC

Nioh 3 entende que seu protagonista é o combate, a história está ali para dar contexto e peso ao mundo, não para disputar atenção.

Ainda assim, há momentos interessantes e personagens que ajudam a manter a campanha envolvente.

O que mais impressiona

A palavra que melhor define Nioh 3 é confiança.

A Team Ninja claramente sabe no que é boa, e decidiu não diluir isso tentando agradar todo mundo.

O combate está entre os melhores do gênero hoje. Talvez o mais técnico fora da FromSoftware.

A quantidade de conteúdo também chama atenção. Se você gosta de testar builds, revisitar áreas e encarar desafios opcionais, é fácil passar da marca das 80 ou até 100 horas.

Mas o maior mérito é outro: aquela sensação deliciosa de perceber que você virou um jogador melhor.

Não apenas mais forte, melhor mesmo.

Desempenho no PC

De forma geral, o jogo roda bem, mas não de maneira perfeita. Em áreas mais abertas percebi pequenas oscilações de performance, nada catastrófico, mas o suficiente para ajustar algumas configurações.

Não chega a comprometer a experiência, mas um pouco mais de otimização seria bem-vindo.

Conclusão

Nioh 3 não é sobre reinventar, é sobre dominar.

Ele pega uma fórmula já excelente e a refina até ficar difícil encontrar concorrentes diretos em termos de profundidade mecânica.

Não é o RPG de ação mais acessível. Não é o mais cinematográfico. E provavelmente não será o favorito de quem prefere experiências mais guiadas.

Mas para quem gosta de jogos que exigem atenção, adaptação e sangue frio?

É praticamente obrigatório.

Poucos jogos conseguem aquela sensação de vitória suada, aquela em que você larga o controle e pensa: “ok… agora eu realmente aprendi a jogar”.

Nioh 3 faz isso várias vezes.

Nioh 3
  • Desenvolvedora: Team Ninja
  • Publisher: Koei Tecmo
  • Plataformas: PlayStation 5 e PC (Steam)
  • Review feito no: PC
Positivo
  • - Combate extremamente refinado e desafiador
  • - Grande variedade de builds e estilos de luta
  • - Chefes memoráveis e bem construídos
  • - Exploração mais aberta que nos jogos anteriores
Negativo
  • - Repetição de alguns tipos de inimigos ao longo da campanha
  • - Transição para mundo aberto deixa um pouco a desejar
Nota 9
Cientista da Computação por formação e programador, sou fascinado por tecnologia e games. Fã da série The Legend of Zelda e admirador da natureza, busco unir minha experiência em desenvolvimento à paixão pelos jogos para criar conteúdos que conectem inovação e diversão.


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