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Se você me acompanha por aqui ou no LinkedIn, sabe que eu bato na mesma tecla há tempos: o jogo eletrônico brasileiro não é apenas entretenimento. É tecnologia de ponta, é cultura viva e, cada vez mais, é uma ferramenta estratégica de Relações Públicas para o país.

Recentemente, a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) soltou o edital da terceira edição do Prêmio Brasil Tá Pra Game.

Como um entusiasta da cena indie e editor-chefe que respira esse mercado, eu precisava parar tudo para analisar o que essa iniciativa significa para os nossos desenvolvedores.

O que mais me brilha os olhos nesta terceira edição é o amadurecimento do conceito de “brasilidade”.

O edital é claro: não buscamos apenas o óbvio ou o folclórico. Queremos jogos que utilizem ativos da nossa cultura (seja ela regional ou contemporânea) para inovar na promoção do Brasil lá fora.

Imagine o potencial: um turista estrangeiro (gamer ou não) sendo fisgado por uma narrativa imersiva, uma trilha sonora autêntica ou uma direção de arte que transpira Brasil, e isso se transformar em desejo real de viagem. É o famoso soft power sendo jogado na dificuldade “Expert”.

As regras do jogo (e os R$ 70 mil na mesa)

Para quem está na labuta do desenvolvimento, o incentivo financeiro é um fôlego e tanto. Estamos falando de premiações que chegam a R$ 70.000,00 para o primeiro lugar.

Mas atenção, devs: o critério de elegibilidade é rigoroso.

  • Nada de protótipos: esqueça demos, versões de teste ou GDDs no papel. O concurso é exclusivo para jogos completos e lançados comercialmente a partir de 1º de janeiro de 2015.
  • Formato jogável: o júri precisa “botar as mãos” no código. O jogo deve ser executável em plataformas como PC, Consoles, Web, Mobile ou XR.
  • Oportunidade para “novos entrantes”: se sua empresa tem até 5 anos de CNPJ (pós-2020), há uma categoria específica de R$ 30 mil para dar aquele empurrão inicial na sua trajetória.

Para além do dinheiro, vejo este prêmio como uma ponte vital. Ele tenta curar uma dor antiga: a fragmentação tecnológica do nosso trade turístico.

Ao conectar estúdios independentes com a Embratur, democratizamos o acesso a ferramentas que qualificam a jornada do turista estrangeiro.

As inscrições abriram em 07 de janeiro de 2026 e vão até 09 de fevereiro. O resultado final sai em agosto de 2026.

Se você tem um jogo que projeta uma imagem positiva do Brasil, que quebra barreiras e entrega uma experiência de alta qualidade técnica, essa é a sua convocação. Afinal, se o Brasil “tá pra game”, é a nossa indústria que precisa dar o start.

Cronograma resumido para não perder o “Save”:

  • Inscrições: 07/01/2026 a 09/02/2026
  • Votação popular: 18/05/2026 a 26/06/2026
  • Pitching: 01 a 03/07/2026
  • Resultado final e premiação: 26 a 30/08/2026

Para ler o edital completo e se inscrever, acesse: embraturlab.com.br/brasiltapragame.

Fonte: Embratur

José Elias Mendes, mais conhecido como Dolfo, já foi reconhecido pelo ranking Top 10 Jornalistas Brasileiros do LinkedIn. Por lá, fala um pouquinho de tudo e está sempre aberto a conversar. Tem se especializado em jornalismo de games e oferece mentorias em assessoria de imprensa/relações públicas para devs indie. Assumiu como editor-chefe do Overplay em agosto de 2025.