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Um documentário inédito revela como abusadores sexuais e grupos extremistas utilizam jogos online para aliciar crianças e adolescentes.

A produção “Jogos Perigosos: Roblox e o Metaverso” mostra que, a cada sete minutos, é registrada uma denúncia de aliciamento sexual de menores na internet, indicando a dimensão do problema no ambiente digital.

O filme estreia com exclusividade no canal Curta! e já está disponível no streaming CurtaOn – Clube de Documentários.

A obra reúne depoimentos inéditos de especialistas, além de relatos de menores de idade e familiares que vivenciaram situações de abuso em plataformas populares como Roblox e Minecraft.

documentário jogos online
Imagem: Divulgação

O conteúdo é classificado como sensível e aborda práticas de predadores sexuais, além de estratégias de recrutamento e radicalização adotadas por grupos organizados. A direção é de Ann Shin, que prioriza a narrativa das vítimas e contextualiza os riscos presentes no chamado metaverso.

Entre os relatos está o de Janae, adolescente que encontrou nos jogos online um espaço de acolhimento e socialização.

Segundo o documentário, a jovem, que se sentia deslocada na escola, passou a estabelecer vínculos no Roblox, plataforma de jogos sociais que permite a criação de mundos virtuais e a interação entre usuários.

Nesse ambiente, Janae passou a simular experiências sociais que não conseguia vivenciar fora da internet.

Outro caso apresentado é o de Alex, que inicialmente via os jogos como uma atividade recreativa. Com o tempo, a experiência se tornou negativa. De acordo com o relato, a adolescente foi abordada por jogadores descritos como integrantes de uma cultura de masculinidade tóxica.

O documentário detalha como esses grupos exploram vulnerabilidades emocionais, inseguranças e o desejo de pertencimento para seduzir, manipular e recrutar jovens.

A produção aponta que esses ambientes virtuais também têm sido usados para a normalização de discursos extremistas, incluindo apologia ao nazismo, incentivo ao ódio e, em casos mais graves, conexões com sequestros e crimes offline.

A psicóloga Rachel Kowert, ouvida no filme, alerta que a banalização desse tipo de retórica em espaços frequentados por jovens pode ampliar seus efeitos para além do ambiente virtual.

Apesar dos riscos, o documentário destaca a importância dos jogos online para a socialização, a criatividade e o lazer de crianças e adolescentes.

Diante da percepção de respostas insuficientes das plataformas, jovens usuários passaram a se organizar para criar mecanismos de proteção, como fóruns de denúncia, códigos de identificação de abusadores e articulação com parlamentares.

As iniciativas buscam maior transparência, melhorias na moderação de conteúdo e clareza sobre políticas de uso de dados.

O filme também levanta questionamentos sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia, que movimentam bilhões de dólares por ano.

Segundo os relatos, há críticas à ineficiência do atendimento ao usuário e à falta de respostas claras sobre as medidas adotadas para proteger crianças e adolescentes em seus ambientes virtuais.

Fonte: Canal Curta



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