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Kena: Bridge of Spirits é o jogo mais recente a redefinir as expectativas para um título indie. Assim como Hellblade: Senua’s Sacrifice fez antes, o jogo busca ultrapassar as barreiras que confinaram a maioria dos indies ao reino do pixel art e mecânicas simplificadas. Desenvolvido pela Ember Lab como seu jogo de estreia, o exclusivo de PlayStation e da Epic Games Store tem todas as caracteristicas de um lançamento AAA completo.

Visuais lindos que parecem sem dúvidas de última geração? Check. Uma trilha sonora incrível capaz de te emocionar? Também tem. Até mesmo sua jogabilidade relativamente simples flui como uma coleção de grandes sucessos da mecânica moderna de videogame, inspirando-se em Uncharteds e Breath of the Wilds da vida. Isso não quer dizer que o jogo deva ser considerado uma cópia, apenas quer dizer que ele não tem medo de usar suas inspirações. Mas nem todas as facetas do jogo são tão aparentes quanto essas influências.

Nota: A partir daqui há spoilers sobre os eventos de Kena: Bridge of Spirits.

5 – Conexões com Terrible Fate

Antes de se aventurar no desenvolvimento de videogames, a Ember Lab era basicamente um estúdio de animação, trabalhando com vários comerciais. Mas sua descoberta veio com o sucesso viral de seu curta-metragem Terrible Fate. O curta foi baseado em The Legend of Zelda: Majora’s Mask, retratando as origens trágicas da figura central do jogo, Skull Kid.

Esse curta-metragem de animação seria efetivamente o alicerce para Kena: Bridge of Spirits, um jogo que também lida com personagens heróicos com destinos trágicos. Ambos os projetos compartilham um tom e estilo de arte semelhantes, com valores de produção dignos de um longa-metragem de animação como a Disney e a Pixar. Eles também compartilham temas que giram em torno do uso de máscaras; em Majora’s Mask, essas máscaras concedem a Link várias habilidades, enquanto em Kena: Bridge of Spirits, elas são usadas como um canal para ajudar os espíritos dos mortos a seguirem para a vida após a morte.

4 – Sua brilhante trilha sonora original

Embora a primeira coisa que chame sua atenção em Kena: Bridge of Spirits seja, sem dúvida, seus visuais de tirar o fôlego, pode-se argumentar que a trilha sonora do jogo é ainda mais poderosa. Composta por Jason Gallaty, ele se inspirou na música de um conjunto balinês chamado Gamelan Çudamani.

Ele havia procurado seu vocalista para uma colaboração e até mesmo teve que viajar para Bali para gravar algumas das músicas do jogo com o grupo. E o resultado é nada menos que brilhante, adicionando uma camada extra de emoção a algumas das cenas mais impactantes do jogo. A história pode não ser tão completa quanto muitos esperavam ou esperavam, mas a trilha sonora definitivamente ajuda a elevar todo o empreendimento, emprestando-lhe sua vibe distintamente oriental.

3 – As paredes invisíveis

À primeira vista, Kena: Bridge of Spirits parece um jogo de mundo aberto, com amplos terrenos deslumbrantes e picos de montanhas distantes esperando para serem explorados. Mas como qualquer um que joga o jogo descobre rapidamente, ele não é tão aberto quanto parece. Isso ocorre devido à presença de paredes invisíveis definindo limites para onde o jogador pode ou não ir.

Isso sem dúvida foi feito para garantir que o jogador não quebrasse o jogo de maneiras que os desenvolvedores não haviam considerado. E embora eles geralmente não sejam notados pela grande maioria dos jogadores que seguem o caminho tradicional, eles ainda estão muito presentes.

2 – Os Glitches

Glitches nos videogames não são novidade e mesmo alguns dos maiores jogos AAA não são imunes a eles. Basta dar uma olhada em um jogo como o Cyberpunk 2077, por exemplo, que foi lançado com uma série aparentemente infinita de bugs e glitches. Portanto, um título indie menor como Kena: Bridge of Spirits não poderia estar livre disso.

Os glitches em questão são particularmente prevalentes na versão para PC do jogo, que atualmente é exclusiva da Epic Games Store. Eles variam de inputs no controle que não funcionam depois de sair do menu de fast travel, a incidentes que interrompem a progressão do jogo onde eventos chaves não são acionados. Na maioria das vezes, isso pode ser resolvido carregando um save mais antigo. Mas ainda vale a pena mencionar, já que nem todo jogador vai experimentar todos esses glitches.

1 – A ambiguidade em torno de seu final

Kena: Bridge of Spirits não é um jogo longo, então jogadores dedicados não devem ter muitos problemas para chegar ao seu final. O que pode ser menos direto, porém, é a interpretação desse final. Ao longo do jogo, os jogadores controlam Kena enquanto ela ajuda espíritos inquietos de uma vila que sofreu um evento cataclísmico na passagem para a vida após a morte.

O último que ela enfrenta é o de um jovem chamado Toshi, em uma batalha espetacular de vontades que forçaria os jogadores a se apoiarem em todas as habilidades que aprenderam até aquele ponto. Uma vez derrotado, ele é capaz de aceitar seu fracasso como líder, mas Zajuro proclama para Kena antes de se juntar a ele que “só resta um espírito para você ajudar”. Embora isso possa ser entendido como o Rot God que vemos ser restaurado à sua forma de dragão, também alude à própria Kena ser capaz de finalmente “deixar ir”, tendo cumprido seu objetivo.



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